2018, entre a incerteza e a participação

Fonte: CNBB

Por Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo de Campos (RJ)

 

Se bem é verdade que todo ano inicia com a incerteza do novo, e os romanos tinham como mentor desta abertura do ano, o deus Jano, que era bifronte, apresentando duas caras, provocando angústias quanto ao devir dos acontecimentos do começo do calendário. Este ano foi apelidado pela imprensa como ano da incerteza.

Não nos deve assustar, pois, como afirmava Benedetto Croce, a história é a aventura da liberdade Humana. Se retomarmos o protagonismo e nos assumimos como sujeitos e atores da nossa vida e sociedade, haverá boas incertezas que deixarão para trás tantas certezas malditas como: a corrupção, uma velha companheira da Política; a exclusão dos pobres; a discriminação aberta e velada; a injustiça e a impunidade que já deveriam estar aposentadas.

Para a Igreja, 2018 será o Ano Nacional do Laicato, recordando os 30 anos da Encíclica Christifideles Laici, ano, pois, de mobilização, participação e celebração da identidade, vocação e missão dos irmãos leigos (as) numa Igreja em processo de saída com o Papa Francisco. Ano do 17º Encontro Intereclesial das CEBs, em Londrina, para refletir e responder aos desafios urbanos. Jubileu de ouro do documento de Medellìn onde aconteceu a Segunda Conferência do Episcopado Latino-americano que, não só fez uma recepção criativa do Concilio Vaticano II, mas soube ler os sinais dos tempos desde a America Latina fazendo uma inequívoca opção preferencial pelos pobres.

As surpresas da história nas eleições papais: 60 anos da eleição do Papa bom João XXIII que convocou o Concílio Vaticano II, fato totalmente inesperado; 40 anos das eleições do Papa sorriso João Paulo I com apenas 32 dias de pontificado, e São João Paulo II, depois de 400 anos, foi eleito um Papa não italiano, desde 1523, o primeiro Papa que visitou a sinagoga de Roma, visitou Cuba, reuniu três vezes em Assis os líderes religiosos mundiais e publicou a primeira Encíclica Ecumênica.

No mundo e no Brasil, comemoramos o cinqüentenário do famoso maio de 68 na França, mas que se espalhou rapidamente no Ocidente inteiro, quando os estudantes manifestaram o questionamento do ensino universitário e a falta de horizontes da sociedade de consumo; aqui, tivemos o endurecimento do regime autoritário com o AI. 5, os 40 anos das greves operárias do ABC paulista, e os 130 anos da abolição da escravatura com a lei áurea.

Para nós, cristãos, a história é escrita em parceria com o Deus da Aliança e o futuro está sempre aberto para a graça e a liberdade do Reino, nós não só trazemos mudanças com Cristo, mas somos com Ele a grande mudança da história. Deus seja louvado!


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