A importância do retiro dos bispos na assembléia da CNBB

Fonte: CNBB

Por Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá (PA)

 

Realizamos o retiro na quinquagésima sexta assembleia da CNBB orientados por Dom José Luiz Azcona, Bispo emérito da Prelazia de Marajó (PA). Foi um tempo especial de silêncio, de oração, de fraternidade entre o episcopado e com o Senhor Jesus que nos chamou um dia para o serviço na Igreja e no mundo. Diversos temas foram aprofundados, sobretudo o da conversão de vida dada, sobretudo para o bispo, em vista da santidade. O nosso ministério de bispo deve ser no Espírito Santo para que assim a nossa maneira de lidar com as pessoas leva-as a Cristo Jesus. Com a graça de Deus que age nele, cada dia o bispo deve buscar a santidade de vida, através do exercício do seu ministério pela caridade pastoral. Inspirado nos ombros do Bom Pastor, que é Cristo Jesus, o bispo é chamado a santificar-se, a santificar as pessoas e o mundo. Cristo se fez servo de todos de modo que o bispo seja servo, humilde sendo um reflexo coerente de Jesus. A santidade do bispo não pode ocorrer só nível subjetivo, racional, a qual se traduz em obras onde o povo de Deus, mas, sobretudo o bispo é chamado a santidade, não só desejando a purificação aos outros, mas purificando-se de suas limitações e pecados, tornando-se luz para alumiar, aproximando-se de Deus para que os outros se aproximem também de Deus, como já dizia São Gregório de Nazianzo, bispo do século IV. O tempo propicio é agora, o da conversão e do arrependimento. É agora o tempo de uma vida nova com o Senhor e com os irmãos e irmãs. O documento de Aparecida fala da conversão pessoal e pastoral. O Papa Francisco fala da reforma permanente de si mesmo em vista da fidelidade a Jesus Cristo. A renovação da Igreja visa uma maior fidelidade à sua própria vocação. O bispo é pessoa de oração e de ação. Ele ora com o seu povo e pelo seu povo. Em meio aos leigos e leigas, sacerdotes e diáconos é educador da oração, sabendo que a graça age na liberdade humana. Supera-se a idéia pelagiana que o ser humano é bom por si mesmo, porque depende da graça do Senhor para se santificar e santificar os outros pelo dom do Espírito Santo.

O segundo tema que foi aprofundado foi o do Cristo Crucificado como vértice da santidade para nós bispos, porque Ele doou tudo de si ao Pai e aos irmãos, no Espírito Santo. A linguagem da cruz é difícil de compreensão no mundo atual como também no mundo antigo, mas ela revela o poder de Deus, para todo aquele que crê (Rm 1,16) ou como o Senhor disse aos judeus que quando for levantado da terra, atrairia todos a si (Cf. Jo 12,32). É preciso voltar os olhos para o crucificado para superarmos as divisões entre nós, como membros da Igreja e como povo no mundo, justamente no momento de instabilidade política em que estamos vivendo, do poder em geral o qual deve ser visto como serviço e não como dominação sobre os outros. Jesus continua a dar a sua vida por nós e pelo mundo na cruz, para que sejamos seus servos e servas, pessoas que ajudam o povo sofredor a carregar a sua cruz. Devemos superar as divisões pela cruz do Senhor que nos traz unidade e fraternidade. As descrições dos profetas, sobretudo, Isaias, colocaram as atitudes que devemos assumir diante do Crucificado, porque ele era desfigurado, sem beleza e nem tinha esplendor, que não parecia a imagem de um homem. No entanto eram as nossas enfermidades e as nossas dores que Ele suportava e as tomava sobre si (Cf. Is 52,4). Diante de tantas pessoas que carregam a sua cruz é preciso que o bispo seja solidário com as cruzes das pessoas e os sofrimentos de muitos, para que assim a unidade esteja ao redor do Senhor Jesus a partir da cruz. Pelo batismo fomos lavados de nossos pecados, de modo que a criatura velha é deixada de lado para renascer com o Senhor em criatura nova. O nosso ministério faz memória do sacrifício de Cristo na cruz através da eucaristia, sendo memorial da paixão, morte e ressurreição. Lembramos a doação própria de Jesus pela eucaristia que celebramos de uma forma cotidiana e também comunitária. Dai a importância de celebrá-la bem com alegria e amor na presença de Cristo e com o seu povo reunido. Nós sempre somos chamados a carregar a cruz buscando sempre a santidade de vida.

O terceiro tema que foi meditado foi Pentecostes, pelo fato de que somos chamados a evangelizar e sermos evangelizados pelo Espírito Santo. O nosso ministério está ligado ao Espírito Santo. Ao serem transformados pelo Espírito Santo os apóstolos foram ao mundo anunciar a pessoa de Jesus, o perdão dos pecados, a conversão de vida, a salvação no Senhor. Por isso a missão é dada a partir de Pentecostes. Não há missão sem Pentecostes e nem Pentecostes sem missão. Precisamos ser evangelizadores pelo dom do Espírito Santo que desce ainda hoje como o foi em Pentecostes. Todos nós bem como as pessoas ligadas nas pastorais e nos movimentos devemos estar imbuídos pelo dom do Espírito Santo para evangelizar e deixar-se evangelizar, sobretudo com os pobres e necessitados da sociedade. Busquemos a unidade em Cristo e na sua Igreja na diversidade dos dons e carismas. É preciso um novo Pentecostes na existência do bispo e do povo de Deus para que a vida supere a morte, diante das divisões, conflitos, violências, mortes de pessoas que estamos enfrentando no momento atual. Recebemos pela ordenação episcopal o Espírito soberano, o Espírito Santo que foi dado a Jesus Cristo, como plenitude do sacerdócio ministerial. Reavivemos sempre este dom na nossa vida, a fim de que a nossa atuação e evangelização atinjam os corações das pessoas, as famílias, as comunidades, as estruturas injustas para que assim haja fraternidade, amor entre as pessoas e com Deus. É preciso um fervor sempre maior que vem do Espírito Santo como o foi aos apóstolos em Pentecostes, que os transformou em criaturas novas, aderentes a Cristo e a Igreja, para que mais pessoas vivam o amor a Deus, ao próximo como a si mesmo. O Espírito Santo é dado em vista da missão, para que o nome de Jesus seja conhecido, amado entre as pessoas e os povos. Nós recebemos na unção episcopal o bálsamo, o óleo derramado na cabeça em vista da fecundidade espiritual que se dá com a evangelização aos outros, sobretudo com os pobres e os necessitados, assim como o foi em Jesus Cristo. O Espírito Santo estava sobre ele para evangelizar os pobres, curar os doentes e proclamar um ano de graça do Senhor (Cf. Lc 4,18-19). Conforme Pastores Gregis, n. 67 o bispo é chamado a ser obreiro da justiça, da paz e do amor, sendo sacerdote, pastor, profeta diante das desigualdades do mundo de hoje. Assim Pentecostes deve atuar ainda na vida do bispo e de todo o povo de Deus.

Por fim foi meditado o tema da esperança, porque o bispo é testemunho e servo da esperança. Em tempos de incredulidade e indiferença é preciso incentivar as pessoas à esperança e à caridade. O Bispo seja pela força do Espírito Santo em sua vida uma pessoa de esperança para que as pessoas superem os conflitos, a violência, as mortes de pessoas que são dadas tanto no campo como na cidade. Todas as coisas que realizamos devem nos levar à alegria interior de que somos pessoas de fé, que acreditam em Deus, esperam um novo céu e uma nova terra. A fé, a esperança e a caridade geram vida diante do desanimo, da descrença de muitas pessoas. Como a fé é eclesial e a esperança é comunitária caminhamos como povo de Deus rumo ao reino definitivo. O amor, a caridade possibilitem uma nova forma de atuação nossa no mundo de hoje, na ajuda aos pobres e necessitados. Imbuídos pela graça do Senhor dada em nós, seja pelo batismo como também pela ordenação episcopal, como bispos estejamos dispostos a sofrer pelos outros, perseguições e dar a vida, pelo martírio, assim como Cristo doou tudo de si mesmo pela salvação da humanidade. Por isso devemos suplicar as luzes do Espírito Santo para que vivamos o amor do Senhor na doação de nossas vidas. O Senhor acompanhe a todos os bispos na sua qüinquagésima sexta assembleia em Aparecida do Norte, junto aos pés de Nossa Senhora Aparecida na qual colocamos as nossas vidas, os nossos desafios, as igrejas particulares, as dioceses para que leve todos os pedidos nossos e do povo de Deus ao seu Filho Jesus Cristo na unidade do Pai e no amor ao Espírito Santo. Deus Uno e Trino seja louvado pelo retiro realizado.

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