Onde mora Jesus

Fonte: CNBB

Por José Alberto Moura, Arcebispo de Montes Claros (MG)

 

Parece inconcebível Deus tornar-se um de nós, tendo também a natureza humana herdada de Maria, desde que foi concebido nela por ação do Espírito Santo. Assumindo nossa carne, o Filho de Deus vem habitar conosco nesta tenda frágil, mas necessária, para percebermos que nossos limites são superados pela ação divina, quando deixamos Deus agir em nós e nos transformar. Se colocarmos obstáculo à sua ação, nossa fragilidade aparece com grande força e não nos realizamos plenamente, apesar de conquistarmos muito do que é material e cultural.

Vemos a razão de ser da moradia divina em nós ao contemplarmos o exemplo de Jesus, que veio nos mostrar que Deus é amor. Ele não se importa em ter que se rebaixar para nos dar condição de nossa elevação ao seu amor. O que nos realiza, aceitando-O em nós, é justamente vivermos para servir quem precisa de alguém que o sirva e o eleve de sua condição fragilizada. Quem utiliza a própria vida e a dá, com o uso de seus dons, para ajudar as pessoas e a sociedade a se erguerem em seus limites, está imitando o Filho de Deus. Encontra, nessa ação de amor, a razão de ser da própria vida, plenificada do amor divino. Quem deixa Deus habitar e orientar a própria vida percebe o porquê dele em sua existência. Sem a razão de ser de Deus em nossa vida, ela se torna vazia e sem sentido.

Os discípulos de João ficaram curiosos por serem orientados a conhecer Jesus. Então eles foram procurá-lo, perguntando onde ele morava. Jesus os convidou e eles formam ver sua moradia, permanecendo o dia ali. André convidou seu irmão Simão para se encontrar com Jesus. Ambos se tornaram apóstolos de Jesus, a seu convite (Cf. João 1,35-42). De fato, quem se encontra com o Mestre é levado a ser seu discípulo, recebendo a missão de segui-Lo e indicar para os outros o mesmo encontro e aceitar a mesma missão.

Ninguém ama a quem não conhece. Para amar o Filho enviado por Deus faz-se imprescindível conhecê-Lo. Não basta o conhecimento teórico. Até o diabo conhece a Deus. Muitos O conhecem pela cultura, pela influência da educação, do contato com os ensinamentos sobre a fé. Mas o encontro, na prática da proximidade e do amor, é que faz a pessoa perceber sua graça, sua ação na vida, “digerir” sua Palavra, experimentar colocá-la em prática, imitar seu exemplo, partilhar com as pessoas, principalmente as mais necessitadas, seu serviço e sua caridade. A pessoa cheia de Jesus se torna outra, porque encontra nele a razão de ser de Deus em sua vida. Nada a faz temer, nem se decepcionar, mesmo as tribulações. Ela experimenta o amor em profundidade, que vem de Deus.

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